No passado fim-de-semana foram vistos os filmes AVATAR e OS FILHOS DO HOMEM. No anterior foi visto A ESTRADA. Nenhum satisfez o desejo de acreditar. Soaram todos a falso.
Talvez o defeito seja deste espectador. Tecnicamente, qualquer um dos filmes é irrepreensível. O problema, alega o espectador, está na história. Nenhuma é de jeito.
Faz lembrar os três primeiros e agonizantes episódios de STAR WARS. Efeitos especiais nunca vistos e a destruição da fabulosa história dos episódios IV, V e VI. A trilogia STAR WARS! Uma história de aventuras, rica em peripécias, sem nada de complexo ou profundo, mas que resulta muito bem, vá lá saber-se por quê. É traço de todas as grandes obras: resultam, sem que se encontre uma explicação.
Com os três filmes referidos acima, o resultado é não querer mais ver ou escrever ficção científica. Dá a sensação de que a ficção científica é, em si mesma, um género mau, um antro de literatura reles e cheia de manias. Não parece haver salvação possível.
O que fazer? O costume: agarrar os clássicos com unhas e dentes. A trilogia STAR WARS, BLADE RUNNER, ALIEN, 2001, 2010, SOLARIS, 1984, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, CONTACTO, O QUARTO PLANETA, A MÃO ESQUERDA DAS TREVAS, FENDA NO ESPAÇO, O PROFANADOR, FRIDAY, UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA, os quatro primeiros volumes d' O INCAL, etc.
São histórias bem construídas, que tornam verosímeis cenários inexistentes. As peripécias sucedem-se como na vida, não se limitando a surgir para animar espectáculos sensitivos ou pseudo-intelectuais. Vão para além das regras impostas pelo público e pelos críticos. Perseguem ideias estéticas.
Em vez de serem presumidas, são histórias com visão.