segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

§62 - Democracia das Bananas

O Jornal de Notícias recusou-se a publicar um artigo de opinião do Mário Crespo, no qual ele denuncia a intenção do governo para o silenciar. A notícia é dada pela TSF.

Este país latino-europeu já parece latino-americano. Imperam o despotismo, a corrupção e o medo.

Ainda não somos livres.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

§61 - Desilusões I: Problemas

Os problemas não se resolvem. Gerem-se.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

§60 - A Presunção na Ficção Científica

No passado fim-de-semana foram vistos os filmes AVATAR e OS FILHOS DO HOMEM. No anterior foi visto A ESTRADA. Nenhum satisfez o desejo de acreditar. Soaram todos a falso.

Talvez o defeito seja deste espectador. Tecnicamente, qualquer um dos filmes é irrepreensível. O problema, alega o espectador, está na história. Nenhuma é de jeito.

Faz lembrar os três primeiros e agonizantes episódios de STAR WARS. Efeitos especiais nunca vistos e a destruição da fabulosa história dos episódios IV, V e VI. A trilogia STAR WARS! Uma história de aventuras, rica em peripécias, sem nada de complexo ou profundo, mas que resulta muito bem, vá lá saber-se por quê. É traço de todas as grandes obras: resultam, sem que se encontre uma explicação.

Com os três filmes referidos acima, o resultado é não querer mais ver ou escrever ficção científica. Dá a sensação de que a ficção científica é, em si mesma, um género mau, um antro de literatura reles e cheia de manias. Não parece haver salvação possível.

O que fazer? O costume: agarrar os clássicos com unhas e dentes. A trilogia STAR WARS, BLADE RUNNER, ALIEN, 2001, 2010, SOLARIS, 1984, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, CONTACTO, O QUARTO PLANETA, A MÃO ESQUERDA DAS TREVAS, FENDA NO ESPAÇO, O PROFANADOR, FRIDAY, UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA, os quatro primeiros volumes d' O INCAL, etc.

São histórias bem construídas, que tornam verosímeis cenários inexistentes. As peripécias sucedem-se como na vida, não se limitando a surgir para animar espectáculos sensitivos ou pseudo-intelectuais. Vão para além das regras impostas pelo público e pelos críticos. Perseguem ideias estéticas.

Em vez de serem presumidas, são histórias com visão.

domingo, 17 de Janeiro de 2010

§59 - Amor vs. Romantismo vs. Lógica

O amor não é uma ilusão. Existe.

Nada tem a ver com ideias ou ideais. Parte mesmo do coração. Ninguém, em época alguma, será capaz de definir o que faz duas pessoas gostarem uma da outra.

Perante o amor, só há duas coisas a fazer: 1) constatar a sua existência; 2) preservá-lo.

O problema nas relações conjugais problemáticas está somente nestes dois factores: ou o amor nunca lá esteve, ou não foi devidamente cuidado.

Existe, assim, uma vertente bastante pragmática na vivência do amor. Para qualquer indivíduo, constatar a existência do amor por uma pessoa é bastante fácil. Os únicos requisitos são a sinceridade, para consigo e para com o outro, e não ter pressa. Preservar o amor é a verdadeira aventura.

A preservação do amor exige muita vontade, persistência, sentido ético, paciência, imenso respeito, bastante inteligência e, sobretudo, fé. Há que acreditar no coração e saber escutá-lo.

O amor nada tem de romântico, no sentido de ser um paraíso adquirido em função de um plano traçado pelo destino. Nada disso.

A verdade, por incrível que pareça, é muito mais empolgante: só consegue o amor quem lutar por ele. A preservação deste fabuloso sentimento depende da força de cada indivíduo para vencer as contrariedades, externas ou internas. Ambas irão sempre existir. Negá-las é um acto de ingenuidade tremendamente perigoso.

O amor não é um idílio. O amor não é uma ciência.

O amor é uma fé responsável.

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

§58 - O Chão Debaixo dos Pés

A vida não assenta na carreira nem no dinheiro. Assenta na pessoa que está ao nosso lado. A diferença entre os revezes na solidão e os revezes em companhia é abissal.

Nada é mais reconfortante do que a certeza do amor. Consiste no derradeiro e invulnerável patamar. Quem o tem enfrenta tudo.

Em vez de ser dos audazes, a sorte é de quem ama.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

§57 - 180º

Dez anos de erro.

Os alunos não querem nem precisam de autonomia nas aprendizagens nem de ensinos construtivistas. Querem tudo explicado tintim por tintim, passo a passo, sem que lhes seja pedida a descoberta de formas de resolução. Eles querem imitar e repetir. Mais tarde quererão aplicar.

Os pais querem exactamente o mesmo do percurso escolar dos filhos.

Têm ambos razão.

Dez anos de pressões ideológicas e profissionais. Dez anos de arrogância e ignorância.

Dez anos de erro.

terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

§56 - Vencimentos, Desemprego e Pobreza

Ontem, num noticiário, anunciaram que o ordenado mensal de um consultor de um banco (do qual já foi vice-presidente, e que já foi ministro) é trinta mil euros. Um professor com dez anos de serviço ganha mil e duzentos. O ordenado mínimo são 450 euros.

Um consultor de um banco ganha num mês o que um professor ganha em dois anos, e o que um trabalhador com o ordenado mínimo ganha em cinco anos e meio.

Ainda perguntam o que está mal no país?

Acreditar na boa fé dos dirigentes políticos e económicos é muito mais do que ingenuidade. É ser deliberadamente imbecil.

Somos estúpidos e temos orgulho nisso.